Ética Hacker

A sociedade vive numa eterna evolução. A era industrial já está enterrada. O sistema caducou deixando espaço para novas idéias e conceitos. Estamos na era do conhecimento. Uma sociedade baseada no fluxo das informações, e não mais na quantidade de bens produzidos.

Neste cenário um novo sistema começou a florescer. Fundamentado na utilização da tecnologia os hackers estão moldando um novo contrato com a sociedade. Hackers crêem que a revolução digital deve ser traduzida em um tempo lúdico para a humanidade - a sexta-feira deve virar um domingo. Acreditam no conhecimento livre.

No jargão hacker, a ética hacker significa a crença em que o compartilhamento da informação é um poderoso e positivo bem. Na prática, isto significa um dever ético de trabalhar sob um sistema aberto de desenvolvimento, no qual cada um disponibiliza a sua criação para outros usarem, testarem e continuarem o desenvolvimento. Para Pekka Himanen, os argumentos éticos do modelo hacker são os mais importantes. O aspecto mais interessante da ética dos hackers é se opor à velha ética protestante. Uma relação mais livre é também necessária na economia informal cuja base principal é a criatividade

Pekka em entrevista para Sheila Grecco, do Valor Econômico diz: Eu me atrevo a dizer que em 2020 a internet já será uma mídia universal, entretanto, isso requer trabalho consciente e a formação de novos heróis. Via de regra, tendemos a celebrar os feitos de CEOs e outros que basicamente só se movem pautados pelos interesses de suas companhias. Mas a rede não pode existir sem a ação individual e, por vezes, anônima, dos bons hackers, nomes como os de programadores, verdadeiros "heróis da generosidade", porque dividiram seus conhecimentos com os colegas - como fizeram Vinton Cerf e Tim Berners-Lee, os pais da internet na rede, entre outros. Os nomes de criminosos e dos piratas virtuais vão simplesmente se perder na poeira da história.

Podemos adicionar aos nossos argumentos éticos que a paixão e a maneira livre dos hackers apontam no sentido da permissividade para "brincar" e permitir que o trabalho seja feito de acordo com o ritmo de cada um. Podemos também dizer que o modelo aberto não só é justificado pela ética como também é muito poderoso na prática.

A ética hacker passa a ser fundamental no desenvolvimento do novo sistema, ou melhor, está sustentando a revolução digital. Assim como a ética protestante deu vazão ao sonho industrial. A sociedade do conhecimento assimila esta ruptura e apresenta uma proposta inspirada na filosofia hacker.