Colaborar

No Brasil, os projetos independentes se caracterizam por privilegiar a internet das pontas. Atuam de forma muito diferente do padrão UOL de qualidade. Assumem uma posição inversa onde a periferia é o centro. E, desta forma, apontam para a colaboração.

Mas o que significa colaboração? Ou, melhor, projetos colaborativos? Bem, colaboração é um modo de produção. Diferentemente das idéias tradicionais, a colaboração tem vida própria. Nasce num ambiente caótico, como a internet, e emerge num movimento de baixo para cima, alcançando um nível razoável de organização. As pessoas têm na internet mais do que uma ferramenta. Utilizam-na como uma aliada. E, desta forma, catalisam a conversação entre pessoas comuns. E neste ambiente de burburinho muitos projetos são desenvolvidos.

O melhor exemplo do funcionamento do sistema colaborativo está na experiência dos grupos. Funciona muito bem quando podemos utilizar a ferramenta colaborativa no seu potencial. Seja esta ferramenta um computador, um caderno de anotações, um lápis ou apenas uma boca falante. E, nesse sentido, temos que nos valer de tempo para destrinchar os projetos. E tempo, muitas vezes, é um fator limitante.

Mas há um dilema. Projetos colaborativos carecem de financiamento. E mais, não existe uma fórmula ajustada de viabilidade econômica para sustentação de projetos. Colaboração exige muito das pessoas e nem sempre retorna em remuneração. A moeda básica é a reputação. E isso mão tem muito valor quando é necessário criar filhos, pagar contas e comprar o jantar para o dia seguinte.

A interface web potencializa o puxadinho digital e o pessoal já entendeu isso. Temos que trabalhar no boca a boca. Assim funciona a rede. E, assim, funciona a economia pirata.