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IDA adoção do software livre pelo governo brasileiro nos aponta que o argumento mais importante não é o técnico. É econômico - social. Assim, vou tentar fazer uma análise pontual sobre essa escolha política. A escolha do software livre não é emocional. Os estudos sérios sobre o impacto do software livre no setor de informática me remete a discussão sobre reputação. O que são estudos sérios? A universidade está desatualizada em relação ao que acontece na internet, nos trabalhos colaborativos e na catalisação das inteligências coletivas. A academia fica na retórica, enquanto a sociedade da informação dá passos maiores. Temos que nos atentar que o Linux está muito bem estabelecido nos mercados de servidores de web. E tecnicamente tem sido uma solução mais segura do que as soluções proprietárias. Software livre não é grátis. E nem deve ser. Aliás, numa concepção mais vanguardista, o software livre deixa de ser um produto de alguma empresa, e passa a ser um serviço das comunidades. E quando falamos em projetos brasileiros estamos pressupondo comunidades brasileiras. Assim, a compra de serviços de software não é mais um bem importado através de royalties e patentes. O dinheiro fica no Brasil. A argumentação da M$ de que o software livre e proprietário acarretam em despesas parecidas não pode ser considerado verdadeira. A diferença está no destino final do dinheiro. E no caso do software livre está realimentando a cadeia produtiva no país. Política Pública O Brasil tem se mostrado um mercado muito importante para a implementação da filosofia do software livre. Esta tecnologia pertence a humanidade. Não a uma empresa ou a um país. É a ruptura de um velho paradigma. A sociedade da informação não segue preceitos da era industrial. E pensar no software como uma ferramenta de alavancagem do conhecimento do país é um projeto futuro muito mais contundente do que a suposição de uma possível economia pela utilização de softwares proprietários. O Brasil tem que optar pelo desenvolvimento de suas capacidades. Uma opção filosófica A atitude do Governo está focada na direção do todos ganham, e não mais privilegiando um segmento em detrimento a outro. Lobby significa a união de interesses e dinheiro para alcançar o poder. Não é essa idéia. Sérgio Amadeu diz "Estudando o fenômeno da exclusão digital, descobri que seu combate deveria se tornar política pública", justifica. Nesse contexto, a importância do software livre ficou clara. "Ele desperta a idéia de compartilhamento. É desenvolvida internacionalmente, mas apropriada localmente. E não se apóia na remessa de royalties para os países centrais". Essa é uma opção filosófica. A sociedade da colaboração O Brasil está pegando um atalho para o futuro. Está critica está fundamentada na importância que ele dá para o software livre na inclusão digital. Dizem que para o usuário final nos projetos de inclusão não existe diferença entre a utilização do linux ou do windows. Uma verdade para os leigos. Afinal internet não tem a ver exclusivamente com computadores. Estamos falando de pessoas, do inter-relacionamento entre pessoas, formação de comunidades e exercício da cidadania. No entanto, uma análise profunda desta nova sociedade fica evidente a necessidade de fomentar políticas de compartilhamento e colaboração. O software livre é a experiência mais tangível da catalisação das inteligências nas comunidades. Utilizar essa experiência e incentivar financeiramente esses grupos de trabalhadores digitais, via de regra, acarretará no crescimento das comunidades online como um todo. E assim, os projetos de inclusão serão beneficiados pela militância colaborativa. Necessidade de organização Mas isso não é uma tarefa simples. Pois essas comunidades estão caoticamente espalhadas pela rede. Encontrar os grupos, entender a relevância dos projetos e cooptar essas pessoas é o ponto fundamental desta inclusão colaborativa. O governo Federal deve encontrar formas de estabelecer linhas de micro crédito para esses grupos independentes. E promover e incentivar os projetos já existentes, tanto no desenvolvimento de softwares como para as comunidades de interesse. Colaboração é função da compreensão da rede como forma de reconquistar a cidadania. Entendemos que essa colaboração não é exclusividade da virtualidade. A periferia sempre soube exercer esse compartilhamento de esforços para o bem comum. As ferramentas de software apenas incentivam e incrementam esse multirão. O país tem muito aprender com suas origens. A sociedade da colaboração nos move de dentro para fora e norteia o nosso futuro. O Brasil está no lugar certo.
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